Entre paus de selfie, gritos e cachoeiras

Já faz algum tempo que venho observando o grande “modismo” de estar na natureza. Nas mais variadas situações presenciei pessoas em ambientes naturais com seus paus de selfie e posando para as câmeras. Não que eu tenha nada contra pau de selfie e fotografias, no entanto, o que mais me deixou intrigada em todas as situações foi o quanto a cena mais importante era a foto para postar no Facebook.

Um lindo pôr-do-sol na Pedra do Arpoador no Rio de Janeiro, sendo contemplado por uma pequena porção das milhares de pessoas que lá estavam, a maior parte estava posando para fotos. O mesmo no Cristo, no Pão-de-açucar, uma grande disputa por um lugar com melhor cenário para fazer as fotos.

E para fechar com chave de ouro, uma linda cachoeira no Caparaó, daqueles lugares mágicos onde os pensamentos somem e fica somente aquele sentimento de plenitude! Quando menos se espera, aparece uma grande família aos gritos:

  • Nossa mas que água gelada, vou ter que entrar nisso? Não quero!

E para a minha grande surpresa a resposta foi:

  • Vamos rapidinho, fazemos uma foto para o Face e vamos embora.

Essas cenas e muitas outras me fizeram pensar o quanto a contemplação está sendo confundida com consumo. Os padrões do sistema, realmente são muito fortes até momentos de plenitude e contato com os ambientes naturais trazem a boa parte das pessoas a vontade de consumir. Consumir fotos, consumir lugares, consumir cachoeiras, consumir paisagens, tudo isso para colocar em seu álbum de figurinhas no Facebook e ganhar curtidas dos amigos.

Não tem nada de errado com fotos no Facebook, sou adepta de compartilhar e postar fotos. Não estou aqui para julgar ninguém, apenas estou intrigada como o consumismo que adentrou até a reconexão da humanidade com a natureza.

Essa reflexão nos convida a observar como temos nos relacionado com os ambientes naturais, apenas mais um objeto de consumo? Ou um local para nos conectar com a nossa essência, com a plenitute e/ou contemplar?

Faço um convite para que na próxima vez que visitar um local, além das fotografias, respire, sinta as emoções que você sente enquanto está por lá, escute os sons, sinta o cheiro, o vento massageando sua pele e veja todas as nuances, do céu, da terra e da água. Contemple!

Contemple também sobre como você se relaciona com a natureza, o que te levou a tal lugar?

Só conseguiremos viver em harmonia com a natureza, a partir do momento em que experienciamos e nos sentimos uno com ela! Só assim é possível tocar os corações para que as mudanças de comportamento aconteçam e os hábitos que são tão nocivos aos ambientes naturais mudem.

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3 comentários sobre “Entre paus de selfie, gritos e cachoeiras

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